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Calculadora de dobras cutâneas: percentual de gordura por 5 protocolos
A dobra cutânea continua sendo o método de campo mais usado para estimar composição corporal, porque custa pouco e é reprodutível quando a técnica é padronizada. Esta calculadora traz cinco protocolos — Jackson & Pollock de 3 e de 7 dobras, Faulkner, e os dois brasileiros, Guedes e Petroski — com os pontos anatômicos corretos de cada um, a faixa etária em que cada equação foi validada e a conversão de densidade em gordura por Siri ou Brozek.
Calcule o percentual de gordura
Meça cada dobra três vezes e use a mediana. O protocolo já vem escolhido — troque só se quiser.
A calculadora interativa carrega junto com a página. A referência completa em números está nas tabelas abaixo.
- Cinco protocolos, incluindo dois desenvolvidos com população brasileira
- Pontos anatômicos de cada dobra descritos ponto a ponto
- Aviso quando a idade sai da faixa em que a equação foi validada
- Siri e Brozek, com a diferença entre as duas explicada
Os protocolos e o que cada um exige
Um protocolo de dobras é sempre um par: uma lista de pontos anatômicos e uma equação de regressão desenvolvida com aquela lista, naquela população. Trocar os pontos e manter a equação invalida o resultado — é o erro mais comum nas calculadoras disponíveis em português.
| Protocolo | Dobras (homens) | Dobras (mulheres) | Validade |
|---|---|---|---|
| Jackson & Pollock, 3 dobras | Peitoral, abdominal, coxa | Tríceps, suprailíaca, coxa | H 18–61 · M 18–55 |
| Jackson & Pollock, 7 dobras | Peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca, coxa | Os mesmos 7 pontos | H 18–61 · M 18–55 |
| Faulkner (Yuhasz), 4 dobras | Tríceps, subescapular, suprailíaca, abdominal | Os mesmos 4 pontos | Adultos jovens treinados |
| Guedes, 3 dobras | Tríceps, suprailíaca, abdominal | Coxa, suprailíaca, subescapular | H 17–27 · M 18–30 |
| Petroski, 4 dobras | Subescapular, tríceps, suprailíaca, panturrilha medial | Axilar média, suprailíaca, coxa, panturrilha medial | H 18–66 · M 18–51 |
Três erros que circulam nas calculadoras em português
- Pollock de 3 dobras em homens não é tríceps, peitoral e abdominal: É peitoral, abdominal e coxa. Há calculadoras brasileiras publicando a lista errada com os coeficientes certos, o que produz um número plausível e incorreto.
- Pollock de 7 dobras não inclui panturrilha: O sétimo ponto é a axilar média. A panturrilha medial aparece no protocolo de Petroski, não no de Jackson & Pollock.
- A equação feminina de Petroski é logarítmica: Circulam versões com o somatório ao quadrado e sem termo linear. Não é questão de opinião: com quatro dobras somando 66 mm e 30 anos de idade, a forma incorreta devolve densidade corporal negativa, o que é fisicamente impossível. A forma correta é D = 1,19547130 − 0,07513507 × log₁₀(Σ4) − 0,00041072 × idade.
Onde e como medir cada dobra
A precisão do resultado depende muito mais da coleta do que da equação escolhida. Meça sempre do lado direito, com o avaliado em pé e relaxado, pinçando a pele e o tecido subcutâneo sem incluir músculo, e aplicando o compasso cerca de 1 cm abaixo dos dedos. Faça três medidas em cada ponto, em rodízio entre os pontos, e use a mediana.
| Dobra | Direção | Localização |
|---|---|---|
| Tríceps | Vertical | Face posterior do braço, no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, com o braço solto |
| Subescapular | Oblíqua, 45° | Dois centímetros abaixo do ângulo inferior da escápula, acompanhando a borda |
| Peitoral | Oblíqua | Homens: ponto médio entre a linha axilar anterior e o mamilo. Mulheres: a um terço dessa distância, a partir da axila |
| Axilar média | Vertical | Sobre a linha axilar média, na altura do processo xifoide |
| Abdominal | Vertical | Dois centímetros ao lado da cicatriz umbilical |
| Suprailíaca | Oblíqua | Logo acima da crista ilíaca, sobre a linha axilar média |
| Coxa | Vertical | Face anterior, no ponto médio entre a prega inguinal e a borda superior da patela |
| Panturrilha medial | Vertical | Face medial da perna, na altura do maior perímetro, com o joelho a 90° |
De densidade para percentual: Siri ou Brozek
Quase todos os protocolos não devolvem gordura diretamente — devolvem densidade corporal, que depois é convertida. As duas equações clássicas são a de Siri (1961), %G = 495 ÷ D − 450, e a de Brozek (1963), %G = 457 ÷ D − 414,2. Siri é o padrão da maior parte da literatura e é o default aqui.
A diferença entre as duas é pequena na faixa usual e cresce nos extremos: para uma densidade de 1,0657, Siri devolve 14,5% e Brozek 14,6%; em pessoas com percentual mais alto, Siri tende a dar valores um pouco maiores. O que não se pode fazer é alternar entre elas entre uma avaliação e outra do mesmo aluno — a variação do método viraria "evolução".
A exceção é o Faulkner, que estima o percentual direto do somatório, sem passar por densidade: %G = (Σ4 × 0,153) + 5,783. Nele, escolher Siri ou Brozek não muda nada.
Faixas de referência
A tabela abaixo traz as faixas mais difundidas na literatura de exercício. Trate-as como referência, não como diagnóstico: os pontos de corte variam entre fontes, e as faixas saudáveis sobem alguns pontos com a idade — o que é normal, não um problema a corrigir.
| Faixa | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| Gordura essencial | 2–5% | 10–13% |
| Atletas | 6–13% | 14–20% |
| Bom / em forma | 14–17% | 21–24% |
| Aceitável | 18–24% | 25–31% |
| Acima do recomendado | 25% ou mais | 32% ou mais |
O que a estimativa não consegue fazer
- Não é medida direta. É uma estimativa de densidade a partir de gordura subcutânea, com erro-padrão que costuma ficar em 3 a 4 pontos percentuais mesmo com boa técnica.
- Não enxerga gordura visceral. Duas pessoas com o mesmo somatório de dobras podem ter distribuições internas bem diferentes.
- Equações estrangeiras aplicadas à população brasileira tendem a viés — é a razão de existirem Guedes e Petroski, desenvolvidos aqui.
- Fora da faixa etária de validade a equação continua devolvendo um número, e é aí que ela engana. A calculadora avisa quando isso acontece em vez de silenciar.
- O valor absoluto importa menos que a série temporal. Mesmo protocolo, mesmo avaliador, mesmas condições — só assim a comparação entre duas avaliações significa alguma coisa.
Registrar no histórico do aluno
Uma medição isolada resolve pouco. O que muda a conversa com o aluno é a sequência: o mesmo protocolo repetido a cada seis ou oito semanas, com peso, medidas e fotos ao lado. No CoachPilot, cada avaliação física guarda percentual de gordura, peso, medidas livres, fotos comparativas e anexos de bioimpedância no histórico do aluno, com gráficos de evolução gerados automaticamente. Você calcula aqui e registra lá — o plano grátis cobre até 3 alunos.
Perguntas frequentes
Qual protocolo de dobras cutâneas devo usar?
Se você não tem preferência, Pollock de 3 dobras resolve na maior parte dos casos e é o mais rápido. Pollock de 7 reduz o erro em quem tem distribuição de gordura atípica. Para população brasileira adulta jovem, Guedes e Petroski foram desenvolvidos aqui e tendem a ter menos viés. O mais importante é não trocar de protocolo entre avaliações do mesmo aluno.
Pollock de 3 dobras em homens usa quais pontos?
Peitoral, abdominal e coxa. Em mulheres, tríceps, suprailíaca e coxa. Atenção: existem calculadoras em português publicando "tríceps, peitoral e abdominal" para homens, o que está incorreto e produz um resultado plausível mas errado.
A equação de Faulkner foi feita com nadadores?
Não — é um mito difundido. A equação nem sequer é de Faulkner: é atribuída a Yuhasz e nunca foi publicada por ele. Pires Neto e Glaner demonstraram na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano que não houve amostra de nadadores no desenvolvimento dela.
Qual a diferença entre Siri e Brozek?
São duas conversões de densidade corporal em percentual de gordura, com pressupostos ligeiramente diferentes sobre a densidade da massa magra. Na faixa usual a diferença é de décimos de ponto. Siri é o padrão da literatura e o default aqui; o que não vale é alternar entre elas ao acompanhar o mesmo aluno.
Dobra cutânea ou bioimpedância?
Ambas são estimativas com erro parecido. A bioimpedância é mais rápida e não depende da técnica do avaliador, mas é sensível a hidratação, horário e refeição recente. A dobra depende de técnica, mas é mais estável entre dias. Na prática, escolha um método e mantenha — comparar dobra com bioimpedância no mesmo aluno gera diferença que não é mudança de composição corporal.
Preciso de compasso profissional?
Sim, e calibrado. O compasso precisa exercer pressão constante de cerca de 10 g/mm² na superfície de contato. Modelos de plástico sem mola calibrada introduzem erro grande o suficiente para inviabilizar a comparação entre avaliações.
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